QUEM PRECISA DE REMÉDIOS? Sempre   começo   o   grupo   no   CAPS   (Centro   de   Atenção   Psicossocial)   perguntando   a   todos   como   estão.   Muitos   me   respondem   de forma automática que estão bem, mas neste dia, um dos participantes disse que não estava nada bem. Falou   que   seu   fim   de   semana   não   foi   bom.   Que   sua   mãe   consumiu   mais   álcool   que   deveria   e   que   quis   discutir   com   ele,   falando coisas que antes o tiraria do sério. Ele   disse:   -   Parece   que   depois   que   comecei   a   fazer   o   tratamento,   consigo   enxergar   as   coisas   melhor,   enquanto   a   minha   família parece   piorar   com   o   tempo.   Ás   vezes      me   pergunto,   quem   na   verdade   precisa   de   remédios,   se   sou   eu   ou   os   meus   familiares. Parece que sou o menos louco da família. Todos   concordaram   balançando   a   cabeça   e   sorrindo.   Outra   participante   disse   que   acontece   o   mesmo   em   sua   família.   “Tem   dia que todos parecem descompensados”. -   Vocês   estão   em   tratamento   enquanto   os   familiares   ficam   'descobertos'.   Não   quero   invalidar   o   que   vocês   vivem,   mas   eles   não passam por um acompanhamento. Pontuei. Outro disse que sua mãe participa do grupo de família e isso ajuda, mas não tem ajudado muito. Ressaltei:   -   O   objetivo   do   grupo   de   família   no   CAPS   é   ser   um   espaço   onde   o   familiar   tem   a   liberdade   para   falar   sobre   a   sua experiência,   conhecer   a   doença   e   seus   sintomas,   pensando   na   melhoria   do   tratamento.   É   uma   extensão   do   tratamento   do “doente”.   Se   o   familiar   tiver   a   noção   de   como   o   portador   do   transtorno   se   comporta,   o   que   sente   e   o   que   significa   os   seus sintomas, ajudará principalmente no momento da crise. Os   grupos   de   família   não   têm   tempo   para   trabalhar   as   demandas   deles.   Por   mais   que   ele   saiba   da   condição   de   seu   familiar, quem se interessa pelo seu próprio bem estar? A quem ele / ela poderá recorrer em suas próprias crises?
Ana Helena A. de Souza Psicóloga e Coach CRP 05 / 39678 www.cuidarsemsedescuidar.blogspot.com.br

Quem precisa de remédios?

Informativo Saúde Emocional
Sempre   começo   o   grupo   no   CAPS   (Centro   de   Atenção   Psicossocial) perguntando    a    todos    como    estão.    Muitos    me    respondem    de    forma automática   que   estão   bem,   mas   neste   dia,   um   dos   participantes   disse que não estava nada bem. Falou   que   seu   fim   de   semana   não   foi   bom.   Que   sua   mãe   consumiu mais   álcool   que   deveria   e   que   quis   discutir   com   ele,   falando   coisas   que antes o tiraria do sério. Ele    disse:    -    Parece    que    depois    que    comecei    a    fazer    o    tratamento, consigo   enxergar   as   coisas   melhor,   enquanto   a   minha   família   parece piorar   com   o   tempo.   Ás   vezes      me   pergunto,   quem   na   verdade   precisa de   remédios,   se   sou   eu   ou   os   meus   familiares.   Parece   que   sou   o   menos louco da família. Todos   concordaram   balançando   a   cabeça   e   sorrindo.   Outra   participante disse    que    acontece    o    mesmo    em    sua    família.    “Tem    dia    que    todos parecem descompensados”. -     Vocês     estão     em     tratamento     enquanto     os     familiares     ficam 'descobertos'.   Não   quero   invalidar   o   que   vocês   vivem,   mas   eles   não passam por um acompanhamento. Pontuei. Outro   disse   que   sua   mãe   participa   do   grupo   de   família   e   isso   ajuda,   mas não tem ajudado muito. Ressaltei:   -   O   objetivo   do   grupo   de   família   no   CAPS   é   ser   um   espaço onde   o   familiar   tem   a   liberdade   para   falar   sobre   a   sua   experiência, conhecer    a    doença    e    seus    sintomas,    pensando    na    melhoria    do tratamento.   É   uma   extensão   do   tratamento   do   “doente”.   Se   o   familiar tiver   a   noção   de   como   o   portador   do   transtorno   se   comporta,   o   que sente   e   o   que   significa   os   seus   sintomas,   ajudará   principalmente   no momento da crise. Os   grupos   de   família   não   têm   tempo   para   trabalhar   as   demandas   deles. Por   mais   que   ele   saiba   da   condição   de   seu   familiar,   quem   se   interessa pelo   seu   próprio   bem   estar?   A   quem   ele   /   ela   poderá   recorrer   em   suas próprias crises?
Ana Helena A. de Souza Psicóloga e Coach CRP 05 / 39678 www.cuidarsemsedescuidar.blogspot.com.br